segunda-feira, 6 de abril de 2015

Técnicas de redação jornalística: o que muda com o hipertexto





A técnica da pirâmide invertida é fundamental no jornalismo escrito, pois trás primeiramente o lead, e após o restante das informações organizadas em blocos decrescentes de interesse. Essa técnica sofre contestações, ainda mais se usada no webjornalismo, pois a web permite muito mais abrangência de conteúdos e número de informações, descartando a condição de cortes e/ou resumos dos jornalistas em suas postagens. Em contraponto, há uma dicotomia na avaliação da funcionalidade da técnica de uma forma geral, pois avaliar prioridades de interesse em um material divulgado pra um diversificado público e até mesmo em diversificados idiomas, além de ser bem difícil, pode-se não chegar a um consenso do que é mais importante para uns e para outros, levando em consideração toda essa heterogeneidade do público global. Ao separar as informações em blocos informativos ligados através de hiperligações, obtém-se uma independência em cada bloco, tornando-o inteligível na sua autonomia, ou seja, sua compreensão não depende dos
blocos informativos anterior ou posterior. Pra isso contamos com dois tipos de coerência: local e global.
A coerência local refere-se à relação entre dois blocos informativos próximos, podendo ser “intratextual” (regras de sintaxe e semântica de qualquer texto) ou “intertextual” (coerência na forma como se ligam os blocos informativos lidos sequencialmente).
A coerência global refere-se à arquitetura da notícia, ou seja, à lógica que está na base da organização dos vários blocos que compõem a notícia.

Blocos informativos II


Como dito anteriormente em Blocos Informativos I,por bloco informativo entende-se uma unidade informativa autônoma, independentemente de ser composta por texto, vídeo, som ou qualquer tipo de imagem.” (CANAVILHAS, 2014, p. 24)  

Apesar de não existir regras que determinem como deve ser feito um bloco informativo, no caso do texto, especificamente, é aconselhável que ele seja curto, pois geralmente os leitores não gostem de ler textos muito longos online e acaba apenas “passando os olhos” com a intenção de capturar, no texto, as informações mais relevantes. E mesmo quando se tratar de um bloco dinâmico composto por foto ou vídeo, ele deve ser leve e não conter muita informação, visto que o excesso de informação pode demorar a carregar, fazendo com que o leitor desista.

Arquitetura da Notícia na Web



A forma com que a informação deve ser disponibilizada por este meio, é um dos motivos que causa grande discussão entre aqueles que o utilizam como meio de divulgação de informações. Primeiramente achava-se que seria mais adequado a utilização da Pirâmide Invertida, onde a informação é dividida em blocos e limitada pelos mesmos, porém com o tempo surgiram defensores que achavam melhor a utilização de uma linguagem e de uma estrutura apropriados para o meio, em que os leitores conseguissem compreender e captar a informação.
Generalizando, as notícias publicadas na web devem estar com uma estrutura onde o leitor consiga destacar as informações mais importantes, e dar a opção de interatividade para os dois tipos de leitores existentes. 1) Os que estão atrás de um tema especifico e não são influenciados por notícias a parte; 2) Os que navegam pela notícia e são induzidos pela formação textual.
Segundo Carolina Rich (1998 - a primeira autora a propor modelos não lineares), percebe que a estrutura deve se adaptar aos diferentes tipos de notícia, sempre partindo de um elemento inicial, que inclui as informações necessárias para o leitor por si só. As ofertas de blocos de informação (links), podem ser disponibilizados como forma de linha do tempo, ou oferecidos no próprio texto.
A autora diz que se as hiperligações forem colocadas em forma de menu, considerando assim o uso de âncoras para uma leitura não linear, porém estando no mesmo bloco informativo. A intenção de Carolina era disponibilizar a maior perspectiva possível ao leitor com um conjunto de opções de acesso a mais informações, que os outros meios e comunicação.

Hiperligações: tipologia


A hiperligação é uma ferramenta utilizada para levar o leitor a obter mais informações sobre determinado assunto. Por meio dela, é possível inserir – numa matéria jornalística – um link (ou conexão) com outras matérias relacionadas àquela que se está lendo. Uma hiperligação tem duas maneiras de ser classificada: de acordo com seu tipo (documental, ampliação informativa, atualização ou definição) e de acordo com sua localização no texto (interna ou externa). 

Salaverría classifica as hiperligações da seguinte forma: i) documentais: ligação a blocos com informação de contexto existente no arquivo da publicação; ii) ampliação informativa: ligação a blocos de contexto, mas neste caso de informação contextual recente; iii) atualização: como o próprio nome indica, liga a blocos com informações atuais sobre o acontecimento; iv) definição: ligação a blocos de informação mais específica e aprofundada.”


Já a classificação relacionada à localização da hiperligação no texto se dá quando ela está colocada dentro do texto da notícia (interna) e tem relação direta com o conteúdo que está escrito, ou quando é colocada ao redor da notícia (externa) - geralmente em algum título de outra notícia que tem relação com a do bloco principal.